A intenção estratégica por trás do Live Action

by , 26/07/2019 //

Oi pessu, tudo bem? Na semana passada nós comentamos em um post lá no Insta do EFEITO ORNA sobre live action. Prometemos falar um pouquinho mais sobre esse assunto por aqui. 

Então vamos lá?

Para começar aqui vai uma rápida introduçãozinha. Live action nada mais é do que um termo usado para a definição de produções cinematográficas realizadas por atores reais, ao contrário do que acontece nas animações.  

Todo mundo em algum momento da vida já deve ter visto um live action, mas o que acontece agora é um grande “boom” desse tema graças às grandes ocorrências de adaptações que a Disney vem realizando de seus filmes de animação. Nos últimos tempos, já foram mais de 21 clássicos prometidos para se transformarem em filmes inéditos ou spin offs com atores e atrizes reais.⠀

O questionamento que queremos fazer aqui é:

Será que isso tem a ver com investir na nostalgia ou com falta de criatividade?

Essa é uma pergunta que pode dividir opiniões, e nós queremos fazer uma reflexão para além disso. Queremos mostrar o que podemos aprender por trás do live action como estratégia.

Como assim live action é uma estratégia?

Não é de hoje que a Disney realiza adaptações ou relançamentos dos seus filmes, essa é uma prática que acontece desde a década de 40 com o relançamento do clássico Branca de Neve e os Sete Anões, por exemplo.

Esse que ficou conhecido como o “jeito Disney de fazer negócios”, nos ensina algo muito importante sobre branding. São tópicos que todas as marcas podem adaptar para as suas criações. 

  1. Crie conexões profundas com o seu público.

Vamos parar e pensar um pouco. Apostar na refação de um filme que já existe, e que tem tanto valor no imaginário do público, é justamente projetar um sentimento que já está consolidado.

Para ficar mais claro. Podemos pegar como exemplo o filme O Rei Leão. Ele é uma animação de muito sucesso, considerada um grande marco para os estúdios Walt Disney. Quando anunciaram a estreia de seu live action, houve um grande burburinho. Todos queriam ver aquela história que fez parte das suas infâncias viva de novo, e agora de uma nova forma. Essa decisão garante uma bilheteria certa, pois os fãs do filme irão querer viver essa experiência novamente. Claro, isso não garante que ele será ou não bem aceito depois, mas sem dúvidas já tem como definido um grande número de público interessado. 

E tudo isso porque em sua criação, os produtores souberam como criar conexões profundas com os seus consumidores. Esse é um dos grandes diferenciais da Disney: fazer histórias que permanecem na história. E muito disso é possível pois eles criam e encontram maneiras de se manterem presentes.

  1. Eternize histórias usando o que há de novo.

Nem todas as gerações conhecem, de fato, os clássicos do cinema ou dos livros infantis de alguns anos atrás. Hoje, as crianças já estão habituadas a desenhos 3D e novos formatos de animação cujos personagens estão totalmente inseridos em um mundo digital, repleto de tecnologia e desafios da contemporaneidade. 

Quando um live action daquela animação que fez parte da infância da geração 80 ou 90 se torna realidade, a história se reaviva nos corações de todos. Já não mais no formato antigo, mas com uma produção impecável e um roteiro todo repensado para criar empatia nas novas gerações. Para fazer sentido hoje.

Quem nunca teve aquela sensação de “humm, esse filme não é tão bem feito” ao ver alguma produção mais antiga? Muitas das vezes ela só tem um tecnologia mais datada, e como estamos tão inseridos nesse universo cada vez mais repleto de grandes efeitos especiais sentimos essa estranheza. 

Por isso, os live actions também são formas de renovar histórias, adequá-los ao gosto do entretenimento atual.

E, com certeza, isso é uma grande lição. Temos que nos preocupar sempre em trazer para o nosso trabalho um olhar novo, moderno, adequado ao momento.

  1. Aproveite as oportunidades de reinventar o seu trabalho.

Algo que levanta muito debate é quando um live action que partiu de uma animação não é totalmente fiel à sua produção original. Isso na verdade não precisa ser um grande problema. Claro, é preciso estar pronto para encarar os comentários negativos, mas essa também é uma grande oportunidade de se atualizar.

O tempo passa, as coisas mudam, os pensamentos se alteram. Sim, você não precisa pensar exatamente da mesma forma que pensava há 10 anos. Isso tem muito mais a ver com amadurecimento do que com falta de firmeza nas suas escolhas.

Os temas de debate do espaço público são aceitos culturalmente de uma outra forma. Não podemos abordar certos assunto da mesma maneira que fazíamos há 50 anos. 

Um exemplo, é a nova versão de Aladdin que acrescentou para a personagem Jasmine um toque de empoderamento feminino. Optar por reformular um pensamento passado é se pôr à frente de novos tempos, entrar em debates atuais.

É se integrar em um contexto real e que agora faz mais sentido para você e que abraça também uma nova geração.

Essa é uma ação que abre porta para muitas oportunidades.

Em resumo podemos concluir que toda marca pode se valer desses tópicos para criar uma imagem memorável no coração e memória do seu público.

  • Crie produtos e serviços pensados para criar uma conexão real com os seus clientes. O que eles precisam? O que eles querem? O que faz real sentido entregar? Criar uma conexão é elaborar processos que envolvam o seu cliente de forma integrada, dos quais eles possam se sentir parte, pois você realmente o conhece. 
  • Não tenha medo de inovar, investir em atualização e reformular as suas criações. Isso nada mais é do que entregar possibilidades mais completas. Vamos pensar nas atualizações dos aparelhos eletrônicos, como celulares e computadores. Em seu conceito, eles são o mesmo aparelho, desempenhando o mesmo tipo de função, mas que a cada novo lançamento buscam diferenciais e entregar soluções e facilidades mais completas para os consumidores. E isso é muito positivo.
  • Entender o contexto cultural e de pensamento atual é primordial. Precisamos buscar constantemente pela reinvenção e, sem dúvida, por evolução. Como você pode agregar valor e estabelecer um diálogo mais completo, inclusivo e atual com uma criação sua? Esse é um caminho para se estabelecer como uma marca aberta à mudança e que respeita a todos.

A intenção por trás dessa “estratégia” na verdade é envolver, criar um sentimento de pertencimento e comunidade e se eternizar no imaginário geral. 

Qual foi o último live action da Disney que você viu?