E aí, ta boa? | Entrevista com Débora Alcantara

by , 23/05/2019 //

Oi pessu! Tudo bem? Hoje queremos compartilhar uma conversa bem massa que a Dé teve com o E aí, ta boa? Um projeto pra lá de incrível que tem como foco contar a história de mulheres também incríveis.

Vamos conferir?

E aí, ta boa? Efeito Orna, Débora Alcantara, Mulheres empreendedoras

Formada em RP, a Débora Alcantara, além de sócia das irmãs em uma marca de bolsas, uma de cosméticos e em um café, ainda está a frente do Efeito Orna, que ajuda outras mulheres a empreenderem no Brasil através do conhecimento adquirido na sua trajetória. Já palestrou no TEDx, saiu na Forbes, é top voice do Linkedin e palestrou na associação brasileira de relações públicas. O currículo é grande!

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“Não era meu plano trabalhar como o que trabalho hoje porque isso nem sequer era uma realidade na época que fiz faculdade. Os blogs, os novos veículos e novas mídias ainda não existiam da forma que existem hoje. Não era uma realidade ganhar dinheiro com internet ou com produção de conteúdo online. Eu me imaginava como RP de uma grande empresa, como a Natura, trabalhando com a comunicação institucional e gestão de marca de empresas que hoje são minhas clientes, olha que loucura!”.

“Acabei tendo a chance de trabalhar com muitas empresas que sonhava no passado, mas em outro formato e dessa forma também pude participar e entender o processo de gestão dessas marcas muito de perto, o que foi muito incrível porque hoje faço gestão de marca e imagem das nossas marcas e marcas pessoais, cuido de todo o RP do negócio que construímos e essa experiência e contato com muitas marcas que eu admiro, acaba dando expertise e muitos insights pra enxergar onde o mercado tá indo.”.

E aí, ta boa? Efeito Orna, Débora Alcantara, Mulheres empreendedoras “O blog começou com moda, mas a gente não tinha formação alguma nisso! Eu estava numa época pós-faculdade meio perdida e, por coincidência, na mesma época a minha irmã estava se formando e teria que decidir se a empresa que ela inscreveu na incubadora da faculdade iria enfrentar o mundo real ou ficar por ali”.

“Eu acompanhei muito o processo da empresa na época da faculdade e a gente resolveu empreender como agência porque achávamos que teríamos liberdade pra criar o que bem entendêssemos, realmente acreditamos que era o futuro, mas naquela época era muito difícil fazer o cliente entender o que estávamos propondo. Eles não entendiam e não acreditavam no YouTube, não fazia sentido pra ninguém. Foi quando começamos a desenvolver outras ferramentas como blogs institucionais, animações, identidade visual, até locução pra vídeos de empresas, mas a gente começou a se frustrar porque não conseguíamos validar o que realmente acreditávamos ser o caminho”.

“Foi quando criei o Tudo Orna pra falar sobre moda, que era um assunto que eu gostava, mas não tinha conhecimento algum, só era curiosa mesmo. Comecei a postar e chamei a Julia e a Barbara pra virem comigo porque vi que as pessoas tinham muito interesse nelas. E em POUQUÍSSIMO tempo, pouquíssimo mesmo, começamos a entender que aquilo poderia ser uma oportunidade de negócio e passamos a enxergar o Tudo Orna como uma potência porque a gente começou a ver o poder da influência, as pessoas iam nos lugares que indicávamos, nossa audiência estava se consolidando, mas demoramos muito tempo pra realmente ganhar dinheiro com isso.”

“Foi bem complicado o processo porque já não ganhávamos dinheiro com a agência, mas pelo menos era uma agência, aí largamos tudo pra investir num blog, nossos pais ficaram malucos sem entender o que as 3 estavam pensando da vida fazendo foto de look.

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“Nosso começo foi louco, mas foi legal porque começamos a criar formas de monetizar, a gente tirava leite de pedra porque ainda não existiam as formas pré-estabelecidas. Ninguém falava sobre isso! Não tínhamos acesso a nada, então projetávamos comparando com a mídia convencional e criamos um mídia kit com valores. Íamos medindo e testando formatos e vendo que banners, por exemplo, não iam tão bem quanto um publi editorial”.

“Fomos criando formatos de mídia e desde muito cedo a gente compartilhava as informações. A gente chamava as blogueiras da cidade pra mostrar como podia funcionar, pra encorajar a fazer também, disponibilizamos nosso mídia kit e tabela de preço pra elas terem como base porque a gente sabia da nossa vantagem por termos estudado comunicação e assim conseguir enxergar o lado do cliente, o relacionamento com os público, etc… as blogueiras que eram nossas amigas tinham formação em outras áreas, então entendiam do conteúdo delas, mas não tinham muita noção de negociação e business”.

“Em pouco tempo o Tudo Orna começou a se profissionalizar porque já tínhamos o CNPJ da Curta, oferecia contratos, etc. A gente não investia só em conteúdo, mas muito em gestão de negócio também! No começo do blog eu aparecia pouco, por mais que eu tivesse participando de toda a produção do conteúdo, eu era mais o comercial do blog fazendo os fechamentos de campanha. Nosso blog foi o primeiro do Brasil a fechar uma campanha com a prefeitura, é um órgão que exige muito contrato, tem muita burocracia… e conseguimos não pela audiência, mas pelo profissionalismo na época.”

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 “Ser sócia das irmãs tem mais prós que contras, mas como tudo na vida, tem pontos positivos e negativos. Sociedade é um casamento, então você tem que ter extrema confiança e afinidade porque você vai ficar muito tempo convivendo e se relacionando com aquela(s) pessoa(s), muitas vezes mais do que com seu próprio cônjuge. Precisa ter muita confiança e que sejam pessoas que tenham o mesmo sonho, a mesma visão, queiram chegar no mesmo lugar e tenham os mesmos valores, então nesse ponto ser sócias das irmãs ajuda muito. O ponto negativo é que não conseguimos desligar, é trabalho o tempo todo, tínhamos muita dificuldade com isso no começo. E também a intimidade é diferente, né? Na hora de fazer uma crítica a uma pessoa que você não tem muita intimidade, você é mais polido, tem mais cuidado… então estamos sempre gerenciando essas situações, mas com o tempo melhora muito porque você vai conseguindo separar a relação comercial da pessoal.”

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“Na minha visão, o networking é a base pra qualquer carreira. No empreendedorismo sim, ajuda muito, porque tudo gira em torno dos contatos, é a base pra qualquer carreira. Uma hora você sempre vai precisar de alguém. Há pouco fiz uma reunião com um especialista em RH pra startups que foi meu colega na escola.

“A gente falava com muita gente no começo do blog, íamos em muitos eventos, entregávamos cartões de visita pra todo mundo! Não existia rede social pra difundir nosso trabalho, então a gente saía entregando cartão com endereço do blog mesmo… Até hoje a gente tem uma rede de contato grande e valorizamos muito isso. Sempre que vamos pra São Paulo trabalhar, reservamos espaço na agenda pra visitar agências e clientes. As relações são a base de uma trilha de sucesso e não importa qual sua carreira, se é um alto executivo ou um empreendedor”.

“Eu me formei em Relações Públicas e sou muito suspeita pra falar porque sou muito apaixonada por comunicação e sei que foi uma grande sorte ter optado por RP e ter acertado tão nova a profissão certa. Diferente da maioria das pessoas, me encontrei no curso que foi minha primeira escolha. Foi uma conexão muito grande e a faculdade foi fundamental, sou apaixonada por RP e públicos diferentes.”

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“A Orna surgiu anos depois do Tudo Orna, quando a gente começou a ter muito contato com outras marcas, a fazer imersão de marcas em clientes nossos, começamos a entender muito o processo por trás e entender muito o que o consumidor queria. Estávamos entendendo as novas formas de consumir e o comportamento do consumidor.
A gente tinha muita vontade de criar nossa própria marca pensando no futuro, queríamos algo que não estivesse 100% ligado a nossa imagem. Se quiséssemos deixar algo pros nossos filhos, precisávamos criar algo mais e mais forte que a nossa imagem.”

“Foi pensando nisso que nasceu a @orna. Começou com a marca de bolsa porque atuávamos mais na moda. Quando recebemos convite para assinar uma linha de cosméticos pra uma marca foi quando pensamos que ao invés de assinar uma linha, a gente devia criar nossa própria marca, e aí nasceu a @ornaformula. O @ornacafe foi uma oportunidade mesmo porque meu cunhado foi professor universitário muitos anos pensando em juntar dinheiro para empreender algo que amasse no futuro.

“Numa conversa com minha irmã, ela explicou que seria muito mais difícil abrir sem uma marca, sem um trabalho forte de branding. Uma marca aceleraria o processo de conquista de clientes e adesão do público. Nesse mesmo período já tínhamos muita vontade de ter uma loja física, mas ainda não tínhamos capital. Então entrar com a marca no café, seria uma oportunidade de termos uma experiência offline da Orna e as pessoas terem uma experiência com a gente”.

“O processo de abrir o café foi muito legal, antes mesmo de abrir já eram mais de 40k seguidores no instagram. Ele foi trabalhado por meio de economia criativa, uma prática que a gente usa como blog. Foi o mesmo com o @apartamento.33. Tivemos patrocínios de marcas pro café ser concebido. Ele é um estabelecimento físico e offline, mas graças ao marketing de influência que isso pode se concretizar. É um case muito bacana, na abertura eram mais de 500 pessoas na espera! Tem sido incrível e desafiador porque é um mercado novo pra gente e a gente não tem medo de explorar novos mercados e estudar novos desafios.”

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“O @efeitoorna surgiu da vontade de dividir com as pessoas o que a gente sabe, de poder não tornar esse conhecimento algo tão limitado a um grupo de pessoas que tiveram essa grande oportunidade de estudar e a partir daí essas pessoas conseguirem realizar. A gente queria falar de conceitos de branding e construção de marca pra quem quer ouvir e mostrar que isso é um diferencial e vai fazer elas se destacarem no mercado porque já há uma dificuldade da mulher empreendedora ter acesso a grupos de empreendedorismo, que dirá ter acesso a esse tipo de informação. A gente queria também ajudar influenciadoras que precisavam de ajuda para se profissionalizar”.

“O EFEITO ORNA começou presencial, a gente fez uma edição em Curitiba e outra em São Paulo, mas ia ficar inviável gerir os negócios e anda viver viajando pra dar cursos, então optamos por ensino online à distância. Também tem sido um universo à parte e trazido novas descobertas, uma experiência surreal. Essa é a única palavra que dá pra falar. É incrível e muito gratificante.”

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“Hoje eu enxergo os desafios em ser mulher e empreender, mas acho que durante o meu processo, eu não tinha essa consciência e essa informação. E talvez isso tenha sido bom… não que eu ache a ignorância algo positivo, hoje eu sou muito feliz por ter adquirido consciência e poder ajudar outras mulheres, mas por um lado acho que quando sabemos que as dificuldades serão muito maiores, dependendo do mindset isso pode ser uma limitação pessoal. A pessoa vai começar já achando que é difícil e não vai querer tentar”.

“Na época a gente não entendia direito por que não tinha espaço, por que não tinha voz ou não conseguia certas coisas, mas pra gente esse “não conseguir” virou uma vontade de fazer mais e melhor o tempo todo e aquilo acabou sendo impulsionador. Os desafios que a gente encontrou no começo nos impulsionou, mas forma muitos”.

“Quando eu era a única mulher em uma comunidade chamada “Startup Curitiba”, lembro de nunca me deixarem apresentar, por mais que eu soubesse, quisesse e tivesse domínio do assunto. Sempre mandavam eu ficar passando slide e eu não gostava, mas ficava tentando me provar ainda melhor pra próxima oportunidade. Queria provar que era capaz. Ter que se provar o tempo inteiro infelizmente é a realidade de toda mulher até hoje. Então tenho muita vontade de levar pra mulher essa visão de que sim, temos muitos obstáculos por sermos mulheres, mas isso não pode ser transformado em mais uma barreira interna. Esse preconceito e machismo são uma barreira externa que não pode ser trazida pra dentro, não controlamos o ambiente, mas controlamos o que pensamos sobre determinada situação.”

E aí, ta boa? Efeito Orna, Débora Alcantara, Mulheres empreendedoras

“A gente trabalha muito o mindset, a crença de que é sim possível e acreditamos muito na comunidade… o grande valor do Efeito Orna, além do curso em si e das técnicas, é a comunidade, a rede da apoio. Muitas vezes pra você vai ser muito mais difícil porque você terá muito mais nãos por ser mulher, ontem mesmo estava falando com uma mulher que estava frustrada por estar fazendo todas as técnicas, contatando dezenas de pessoas, mas se receber retorno. E eu tenho certeza que ela está fazendo tudo certo, não me preocupo com a abordagem dela, o que me preocupa é ela estar desanimada”.

“É assim mesmo, tem que criar um projeto lindo e provar o valor, é assim que funciona: uma resposta pra cada 100 e-mails enviados. Mais de 50% dos empreendedores brasileiros são mulheres, principalmente na fase pós maternidade porque querem ter mais tempo com os filhos e a família, mas isso é uma ilusão… porque se ganha mais flexibilidade, mas trabalha-se muito mais. Nada disso é falado e as mulheres empreendedoras acabem tendo pouco acesso às informações porque os grupos de empreendedores são de homens”.

“Minha preocupação sempre vai ser com relação às mulheres desistirem, por isso defendo a importância de uma rede de apoio porque você vai sempre encontrar alguém com a mesma dificuldade que você e você vai deixar de se sentir sozinha no mundo com aquele problema. É nessa hora que ela entra no grupo da turma dela do Efeito Orna e compartilha dificuldade e ganha apoio. O empreendedorismo feminino é muito solitário, muitas vezes nem os parentes apoiam, muito pelo contrário.. desencorajam. Então por isso trabalhamos muito o mindset, porque muito antes da técnica e do plano de negócio ou do canvas, você precisa estar com a mentalidade e a crença muito fortalecida.”

E aí, ta boa? Efeito Orna, Débora Alcantara, Mulheres empreendedorasilustração: @arashida

“O EFEITO ORNA foi a experiencia mais incrível, mais emocionante e a que teve a maior dimensão e proporção. Poderia aqui citar experiências com marcas, visitar outros país e outras culturas através do meu trabalho, mas poder ver uma pessoa que não conseguiria, e através do que a gente ensinou, ela conseguiu empreender e hoje está empregando outras pessoas, é demais. O EFEITO ORNA não é sobre nossa história, é sobre outras histórias que surgem a partir do que o Efeito causa em outras pessoa e como isso pode realmente ajudar o ecossistema empreendedor de fato. Por isso considero que esse nosso projeto não é simplesmente um curso ou uma escola, é uma comunidade, uma rede, uma teia, um ecossistema que faz com que as pessoas sintam-se apoiadas e acolhidas”.

“Acho que é o nosso maior projeto, a grande transformação, mas claro que outras experiências tiveram grande valor, receber reconhecimento e palestrar no TEDx e na associação brasileira de RP, ser top voice do LinkedIn, sair na Forbes.. tudo foram grandes marcos! Mas a gente tem sonhos muito grandes de expansão, queremos conseguir criar uma empresa que empregue muitas pessoas, onde as pessoas sejam protagonistas dentro e fora do grupo. A gente sonha mesmo e imaginamos uma expansão mundial das nossas marcas!”

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Entrevista retirada de E aí, tá boa?